quinta-feira, 12 de junho de 2008

Cores e patentes a subestimar inteligência e liberdade dos criadores

Desde o meu primeiro ano da faculdade nós estudantes de design gráfico constumamos ser martelados, tanto pela parte de alguns professores, como pelo hábito da maioria das gráficas na utilização da paletas Pantone como padrão na utilização de cores directas. E em muito do software pelo qual costumávamos utilizar (os comuns da Aldus/Macromedia, Adobe, e Quark), lá estava o raio dos Pantones...

Até aí tudo bem, as cores pareciam agradaveis, construidas numa logica interessante de mistura de pigmentos, e tudo mais...

O pior veio com o maravilhoso 'boom' do open-source, com programas como Gimp, Inkscape, Scribus, Blender, etc. E o problema é um só: Patente.

Tudo bem que isso das patentes surgiram para proteger a criação de quem os faz. Só que nos dias de hoje (e o exemplo da Microsoft é excelente), as patentes em regra geral estão a ser utilizadas mais para prejudicar seriamente os utilizadores do que para proteger criadores.

E claro, como todo bom entusiasta utilizador e desenvolvedor de open-source, tentei entrar em contacto com todas as companhias que detem a autoria de todas essas paletas (Pantone, Focoltone, Trumatch, HKS, Ral, etc.), as respostas por mail sobre a possibilidade de inclusão por defeito dessas paletas em ferramentas open-source ou foram nenhumas ou negativas.

De interessante leitura é este link: http://www.linux.com/articles/49236?theme=print

esse texto diz de uma pressuposição de que raros designers utilizam Linux, e muito menos são programadores - visto a tendencia crescente em migração do MacOS-X e MS-Windows para Linux, isso é um bocado como subestimar a inteligência e a liberdade dos utilizadores. Um bom exemplo são os antigos utilizadores de SGI (Irix - Silicon Graphics), em que muitos eram designers gráficos; tudo bem que eram um nicho muito reduzido na área da animação 3d ou de video, mas existiam; e agora a SGI abandonou o Irix para dedicar-se completamente ao suporte ao Linux! E lá estão os designers gráficos da DreamWorks, Disney e tantos outros a utilizar maquinas SGI com... Linux!

http://www.linuxjournal.com/article/4803
http://www.linux.com/articles/22473
http://www.linuxjournal.com/article/9653

E temos agora uma distribuição de Linux a dar nas vistas desde a 4 anos, como o Ubuntu, que até tem uma subdistribuição chamada UbuntuStudio, que de certeza ainda vai dar muito o que falar.

A única solução seria surgir um padrão de cores directas para impressão em cores directas, baseadas também em misturas proporcionais de pigmentos, mas completamente open-source, ou mesmo creative commons, para que sejam livremente utilizadas por aplicações igualmente open-source, e por utilizadores que não querem sentir as restrições e constrangimentos que umas paletas patenteadas como as da Pantone implicam... E lobbies fortes o suficiente que consigam fazer dessas paletas algo de padrão, popular, e acessível.

1 comentário:

Karla Nazareth disse...

esse tema levantado é realmente pertinente. e eu nunca havia reparado nessa questão, mesmo pq, minha intimidade com os softwares livres é muito recente. me faz pensar o mesmo sobre tipologias.